O punk perde...
MORRE UM DOS INVENTORES DO PUNK, JOHNNY RAMONE
17/09/2004
Com a morte de Johnny Ramone (John Cummings), anteontem, no hospital Cedars-Sinai em Los Angeles, decorrente de complicações causadas por um câncer na próstata contra o qual ele lutava há cinco anos, vai-se o último dos Ramones originais. Ainda que o baterista Tommy seja o sobrevivente da primeira formação, a banda sempre foi escorada pelo trio Johnny (guitarra), Dee Dee (Douglas Coivin, baixo, morto por overdose, em 2002) e Joey (Jeff Hayman, vocais, morto por câncer linfático, em 2001).
Se Joey era a alma e o coração dos Ramones, e Dee-Dee o rebelde, Johnny (que estava com 55 anos) era o cérebro, preocupado com a imagem da banda e com as finanças. A primeira banda a ostentar o rótulo de punk rock de fato, os Ramones lançaram as bases para grupos ingleses como Sex Pistols e Clash, que espalharam o movimento pelo mundo. Os músicos dos Ramones eram jovens vindo dos subúrbios nova-iorquinos, que gostavam do rock cru de Iggy Pop & The Stooges e do escracho dos New York Dolls. Eles deram continuidade a essa linhagem em meados dos anos 70 como integrantes de uma cena punk/new wave que se formava em Nova York, incluindo bandas como Blondie, Television, Richard Hell e Talking Heads, entre outras, e tendo como ponto o clube CBGB.
A grande diferença dos Ramones em relação às bandas punks suas contemporâneas era o som melódico, doce até, apesar da velocidade das músicas (era tudo 1, 2, 3 e já!) e das palavras cuspidas ininteligivelmente por Joey (dono de um estilo vocal absolutamente único e inimitável). Eles não usavam botas, alfinetes ou camisetas com o símbolo da anarquia, mas jeans surrados, tênis e até cabelos compridos, uma heresia entre punks. Era rock ‘n’ roll clássico, com mais velocidade e alguma ironia nas letras — como a clássica “Now I wanna sniff some glue”.
Apesar da postura punk, logo os Ramones foram farejados pela indústria fonográfica e começaram a carreira lançando o primeiro disco por um selo menor (Sire) da Warner. A intenção da companhia é que eles fossem tão grandes mundialmente como o Clash e os Pistols. Afinal, eram os pais do punk, mas os ingleses é que levaram toda a fama.
Em 1979, o mítico produtor Phil Spector foi chamado para criar aquele que seria o disco definitivo do punk rock, levando os Ramones para a fama mundial, “End of the century” (1980). Apesar de o disco ser um dos melhores da banda, ele não aconteceu na escala esperada. Antes disso, eles também tentaram o cinema na comédia musical “Rock ’n’roll high school” (nome de uma música da banda), que foi um fracasso.
Mas eles continuaram influenciando novas bandas e punks ao redor do planeta. Já nos anos 90, na era do grunge, os Ramones emergiram como os maiores e mais respeitados (além de um dos raros remanescentes do levante punk original). Toda a discografia foi relançada e a banda começou a fazer grandes turnês internacionais, incluindo o Brasil, onde estiveram duas vezes.
Essa “ramonemania” durou até 1996, quando o grupo fez a sua última apresentação ao vivo (e eles sempre foram infinitamente melhores num palco que em disco) num clube em Hollywood. O que resta para os fãs, agora que a festa acabou definitivamente, é aguardar a exibição do documentário “The end of the century”, que será exibido na seção “Midnight movies” do Festival do Rio; e o lançamento do DVD “Ramones raw”, que compila material de concertos realizados nos primeiros anos da banda. “Hey, ho! Let’s go!”
fonte:oglobo
17/09/2004
Com a morte de Johnny Ramone (John Cummings), anteontem, no hospital Cedars-Sinai em Los Angeles, decorrente de complicações causadas por um câncer na próstata contra o qual ele lutava há cinco anos, vai-se o último dos Ramones originais. Ainda que o baterista Tommy seja o sobrevivente da primeira formação, a banda sempre foi escorada pelo trio Johnny (guitarra), Dee Dee (Douglas Coivin, baixo, morto por overdose, em 2002) e Joey (Jeff Hayman, vocais, morto por câncer linfático, em 2001).
Se Joey era a alma e o coração dos Ramones, e Dee-Dee o rebelde, Johnny (que estava com 55 anos) era o cérebro, preocupado com a imagem da banda e com as finanças. A primeira banda a ostentar o rótulo de punk rock de fato, os Ramones lançaram as bases para grupos ingleses como Sex Pistols e Clash, que espalharam o movimento pelo mundo. Os músicos dos Ramones eram jovens vindo dos subúrbios nova-iorquinos, que gostavam do rock cru de Iggy Pop & The Stooges e do escracho dos New York Dolls. Eles deram continuidade a essa linhagem em meados dos anos 70 como integrantes de uma cena punk/new wave que se formava em Nova York, incluindo bandas como Blondie, Television, Richard Hell e Talking Heads, entre outras, e tendo como ponto o clube CBGB.
A grande diferença dos Ramones em relação às bandas punks suas contemporâneas era o som melódico, doce até, apesar da velocidade das músicas (era tudo 1, 2, 3 e já!) e das palavras cuspidas ininteligivelmente por Joey (dono de um estilo vocal absolutamente único e inimitável). Eles não usavam botas, alfinetes ou camisetas com o símbolo da anarquia, mas jeans surrados, tênis e até cabelos compridos, uma heresia entre punks. Era rock ‘n’ roll clássico, com mais velocidade e alguma ironia nas letras — como a clássica “Now I wanna sniff some glue”.
Apesar da postura punk, logo os Ramones foram farejados pela indústria fonográfica e começaram a carreira lançando o primeiro disco por um selo menor (Sire) da Warner. A intenção da companhia é que eles fossem tão grandes mundialmente como o Clash e os Pistols. Afinal, eram os pais do punk, mas os ingleses é que levaram toda a fama.
Em 1979, o mítico produtor Phil Spector foi chamado para criar aquele que seria o disco definitivo do punk rock, levando os Ramones para a fama mundial, “End of the century” (1980). Apesar de o disco ser um dos melhores da banda, ele não aconteceu na escala esperada. Antes disso, eles também tentaram o cinema na comédia musical “Rock ’n’roll high school” (nome de uma música da banda), que foi um fracasso.
Mas eles continuaram influenciando novas bandas e punks ao redor do planeta. Já nos anos 90, na era do grunge, os Ramones emergiram como os maiores e mais respeitados (além de um dos raros remanescentes do levante punk original). Toda a discografia foi relançada e a banda começou a fazer grandes turnês internacionais, incluindo o Brasil, onde estiveram duas vezes.
Essa “ramonemania” durou até 1996, quando o grupo fez a sua última apresentação ao vivo (e eles sempre foram infinitamente melhores num palco que em disco) num clube em Hollywood. O que resta para os fãs, agora que a festa acabou definitivamente, é aguardar a exibição do documentário “The end of the century”, que será exibido na seção “Midnight movies” do Festival do Rio; e o lançamento do DVD “Ramones raw”, que compila material de concertos realizados nos primeiros anos da banda. “Hey, ho! Let’s go!”
fonte:oglobo


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