EXISTO, LOGO PENSO

quinta-feira, julho 31, 2003

“O Tempo de Cada Um” – Personal velocity: three portraits (Rebecca Miller, EUA, 2002- 85min.)



O filme se desdobra sobre a vida de três mulheres. No primeiro conto, a vida de Delia nos remete aos milhares de casos de violência doméstica contra a mulher. Delia depois de apanhar bastante do marido resolve que está na hora de mudar de vida e parte de casa junto com seus três filhos.

Uma grande virada na vida de uma pessoa não acontece a toda hora e nem com qualquer um. Na verdade Delia busca retomar o rumo de sua própria vida. Mas existe uma diferença entre ser lançar ao desconhecido das dificuldades e manter alguns princípios, e não ter critérios. E sempre é preciso ter critérios que justifiquem nossas escolhas.



No segundo conto, a vida de Greta nos remete às meninas talentosas que aguardam uma chance para brilhar. Como toda mortal tem problemas no núcleo familiar, mas, por outro lado, encontra um casamento feliz e um marido gente boa (eu disse marido “gente boa”? Péssimo). Tudo bem na vida profissional e em casa, mas umas escapadinhas de vez em quando colocam nossa amiga diante do velho dilema sobre “o que é a felicidade”.

No terceiro conto, a vida de Paula nos remete aos momentos em que tudo parece dar errado em nossa vida. Logo, nossa amiga percebe que a possibilidade de haver um complô universal para arruinar a sua existência é uma imagem que se dissipa por uma série de acontecimentos. E pensando bem, ela tem uma parcela significativa de razão. A vida é curta demais e nossa fragilidade nem sempre está claro em nossas cabeças.

Mulheres reais de um mundo real. Este é o grande trunfo de Rebecca Miller. Suas mulheres são as que conhecemos no dia a dia. Suas opções são sinceras de si mesmas e carregam as contradições típicas de qualquer ser humano, independente do gênero ao qual pertence. Talvez por isso um filme sobre mulheres possa tocar também aos homems.

Veja o site oficial em "www.mgm.com/ua/personalvelocity"

sexta-feira, julho 25, 2003

Outro dia estava numa discussão sobre a diferença entre o homem, o animal e a máquina.

Ao homem caberia, a partir do elemento da racionalidade e do pensar, a construção da cultura, como representação social de sua realidade.

A natureza, quanto elemento da força, seria a representação de toda a intensidade externa ao homem e elemento pelo qual este se desdobra ao longo da história, no intuito de apreender o seu controle.

A máquina seria a representação da técnica, a ferramenta elaborada a partir do homem e do conhecimento para a superação de seu próprio desenvolvimento. O domínio da técnica seria um elemento fundamental na superação das relações de produção, no sentido da possibilidade de sua utilização no domínio do natural.