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quarta-feira, dezembro 22, 2004

Maio de 68

Os sonhadores” - The Dreamers
(de Bernardo Bertolucci - EUA / França / Itália, 2003 - 130 minutos)



Em seu mais recente filme Bernardo Bertolucci nos remete ao seu próprio campo de visão sobre algumas percepções da cultura e da política nos anos 60. Baseado no romance “The Holy Innocents”, de Gilbert Adair, o filme nos fala do encontro entre o jovem Matthew (Michael Pitt) e os irmãos Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel) no final dos anos 60, em Paris.
Completamente apaixonados pelo mundo da sétima arte, seus caminhos se cruzam por serem frequentadores assíduos da “La Cinémathèque Française”, o templo do cinema francês, responsável pela Nouvelle Vague.

A ausência dos pais de Isabelle e Theo é a senha para a hospedagem do jovem amigo americano no apartamento dos irmãos. Daí em diante uma relação intensa entre os três leva cada um dos personagens a conhecer uma nova realidade em suas próprias vidas.
Em meio a essa turbulenta relação, Bertolucci nos conduz a uma série de referências culturais e políticas sobre os principais debates nestas esferas, em pleno maio de 68 francês.



Contra aqueles que fecharam os olhos sobre o significado daquele momento, Bertolucci reafirma a importância de 68 e dispara:
"Algumas pessoas consideram 68 uma guerra perdida," ele diz, "o que é completamente errado. Eu acho que muitas, mas muitas mudanças importantes aconteceram, mas ficou uma espécie de memória ruim, o que explica o fato de várias pessoas não contarem a seus filhos a história de 68. Existe um tipo de buraco negro para os jovens, e eu acredito que em parte é porque seus pais não querem comentar os fatos. Os jovens não sabem nada a respeito de 68. É como se houvesse uma grande censura daquele espírito e eu acho que isso é uma loucura completa. Porque mesmo se foi um fracasso de sonhos revolucionários, 68 foi de uma importância incrível para mudar o comportamento das pessoas. Tudo mudou. Na Itália, as pessoas costumavam receber multas por se beijarem em público! E os jovens de hoje, que acreditam que sua liberdade sempre existiu, não sabem que muito dela foi conseguido em 68”.

Os estudantes franceses que se preparavam ao som de “Ay, Carmela”, canção da guerra civil espanhola, não fizeram a revolução política, ela não veio é bem verdade, mas o mundo em 68 era bem diferente e a juventude era responsável por isso.

veja o site oficial em: http://www.the-dreamers.com/